Como confiar de novo?

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“Por temor diante da gritaria da multidão e por medo do desprezo dos parentes me mantive calado e sem pôr os pés fora da porta.” Jó 31:34


lindas-mensagens-oracoes-1160 Ser traído por alguém a quem estamos ligados afetivamente ou de quem dependemos afeta nossa capacidade de confiar. Isso é ainda mais verdadeiro quando a traição vem dos próprios pais, que deveriam proporcionar segurança.

Se você foi molestado ou enganado por pessoas que supostamente deveriam fazê-lo se sentir seguro, é possível que tenha aprendido o quanto é arriscado ser vulnerável. Essa é a razão pela qual temos leis que protegem as crianças de abusos. Abalar a confiança de uma criança é capaz de prejudicá-la por toda a vida, porque desenvolve nela a crença de que não se pode acreditar em ninguém.

A criança cresce e segue pelo resto da vida sentindo que evitar o sofrimento é mais importante do que seguir em frente. É como tentar subir uma ladeira de bicicleta com os freios acionados. Não se volta para trás, mas avançar será muito mais difícil.



Ser traído por alguém de quem dependemos afeta nossa capacidade de confiar. Charlene é uma mulher atraente, inteligente e excelente profissional, mas tem dificuldade em manter um relacionamento intimo com um homem. Ela veio para a terapia em busca de ajuda para sua vida amorosa. Desejava casar e ter filhos, mas suas experiências com homens a tinham decepcionado.

- Onde estão os homens bons? - perguntou-me certo dia.
- Está sendo difícil encontrar um? - indaguei.
- Eu não acredito que haja um homem em quem eu possa confiar, que assuma um compromisso comigo e que não me abandone quando surgirem dificuldades. Todos os homens parecem meninos que querem apenas se divertir - lamentou-se.
- Acho que você está querendo meu ponto de vista como homem - eu disse. - Mas talvez seja difícil confiar em mim, porque sou homem também.
- Não, com você e diferente - ela discordou. - Eu confio em você.

Mas depois de algum tempo percebi que Charlene tinha dificuldade em concordar com qualquer coisa que eu dissesse. Se eu sugeria um sentimento que ela poderia estar experimentando, negava. Se eu tentava repetir o que ela acabara de me dizer, discordava das minhas palavras. Sem perceber, Charlene precisava se opor a mim. Não fazia isso deliberadamente, mas não se sentia segura para me aceitar. Em algum momento da terapia, Charlene me disse que fora molestada pelo pai. Já estivera em tratamento antes com uma terapeuta mulher e havia discutido longamente esse ponto, mas achava que não tinha esgotado o assunto. Enfrentara o pai antes de ele morrer e tinha ficado satisfeita por tê-lo obrigado a encarar seu comportamento perverso.

Começamos a examinar as marcas que o abuso havia deixado nela. Por ter sido molestada pelo próprio pai, Charlene acreditava que ser vulnerável a qualquer pessoa, sobretudo a um homem, era extremamente arriscado e destrutivo. Se seu próprio pai tinha violado sua delicada vulnerabilidade infantil, como poderia confiar que alguém não faria o mesmo? Sua reação automática aos homens era de autoproteção. O mais seguro era se defender deles, mesmo que isso conflitasse com seu sonho de casamento.

Depois de alguns meses de tratamento, Charlene já não agia de modo tão defensivo em relação aos homens. Agora ela sabe que tem condições de discernir e se proteger e está descobrindo que a vulnerabilidade nem sempre leva ao abuso.

Também aprendeu, em seu relacionamento comigo, que é possível se entregar a alguém e desenvolver um relacionamento sólido e seguro. O medo de se expor não a deixava ver isso. Pessoas que se sentiram traídas em seus relacionamentos geralmente me perguntam: “Como vou poder confiar de novo?” Da mesma maneira que Charlene, elas acham que precisam esmiuçar o outro para determinar se ele e confiável ou não. Mas consegui ajudá-la a ver que não é o conhecimento detalhado das outras pessoas que nos dá segurança, mas o conhecimento de nós mesmos.

Charlene não precisa analisar profundamente todos os homens que encontra, ela precisa se conhecer profundamente. À medida que consegue ver com mais clareza seus próprios sentimentos, ela deixa de achar que todos os homens são perigosos ou imaturos. Seu medo de ser vulnerável impedia que ela identificasse sentimentos capazes de indicar se um relacionamento era seguro ou não. Isso a ajudou a desenvolver a confiança.

(Fonte: Como Deus cura a Dor - Mark W. Baker)

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